A Umbanda na Amazônia: os fundamentos da encantaria, do pena e maracá e dos encantados
A força espiritual da floresta dentro dos terreiros amazônicos
Falar sobre Umbanda na Amazônia é falar sobre ancestralidade, floresta, rio, encantaria e espiritualidade indígena misturada às tradições afro-brasileiras. A Umbanda amazônica possui características próprias, carregadas da força dos encantados, da pajelança, do pena e maracá e das entidades ligadas aos mistérios da mata e das águas.
Na região Norte, especialmente no Pará e no Maranhão, muitos terreiros mantêm fundamentos espirituais ligados à encantaria amazônica. Esses fundamentos nasceram do encontro entre culturas indígenas, africanas e populares, criando uma identidade espiritual única dentro da Umbanda.
Os encantados ocupam um papel central nessa tradição. Diferente da visão tradicional de espíritos desencarnados, muitos fundamentos entendem os encantados como seres espirituais que “se encantaram”, passando para outro plano sem necessariamente viverem a morte como os humanos comuns. São entidades profundamente ligadas às matas, rios, ilhas, igarapés e forças naturais da Amazônia.
Dentro dessa tradição aparecem nomes muito conhecidos na região amazônica, como as caboclas Mariana, Herondina e Jarina, além de mestres, princesas, boiadeiros encantados, povos das águas e entidades ligadas aos reinos da floresta. Essas linhas espirituais possuem forte presença em muitos terreiros do Pará.
Outro fundamento importante é o chamado “pena e maracá”, expressão popularmente usada para se referir à pajelança amazônica. O maracá, instrumento sagrado indígena feito geralmente com sementes, possui função espiritual de chamada, limpeza, proteção e condução energética. Já a pena simboliza a ligação com os povos originários, com as aves sagradas e com a força espiritual da floresta.
Na Amazônia, muitos terreiros mantêm elementos da pajelança dentro da Umbanda. O toque do maracá, o uso do tabaco, das ervas, dos banhos e das rezas fazem parte de práticas ancestrais que atravessaram gerações. Em diversos fundamentos, os encantados trabalham principalmente com cura espiritual, descarrego, proteção e equilíbrio energético.
A Umbanda amazônica também carrega forte conexão com a natureza. As matas, os rios e os igarapés não são vistos apenas como espaços físicos, mas como portais espirituais e moradas de forças encantadas. Por isso existe tanto respeito pelos elementos naturais dentro das tradições amazônicas.
Mais do que uma simples vertente religiosa, a Umbanda na Amazônia representa resistência cultural, preservação ancestral e continuidade dos saberes espirituais dos povos da floresta.
É uma Umbanda de cheiro de erva, fumaça de cachimbo, toque de maracá, som de curimba e força encantada.
Por Pai Jô
Fonte de informação: Repositório RIUFPA
Seara de Umbanda Caboclo Sete Flechas e Toya Herondina em parceria com a Rádio Energia do Bem
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