O LEGADO DE SEU DUQUINHA E A CIÊNCIA QUE ESTUDA A REGENERAÇÃO DA FLORESTA NA AMAZÔNIA
Aos 93 anos, agricultor paraense transformou uma antiga área degradada em referência para pesquisas sobre recuperação florestal e combate às mudanças climáticas.
No município de Capitão Poço, no nordeste do Pará, a história de vida de um agricultor de 93 anos se tornou inspiração para a ciência. Manoel Geraldo de Carvalho, conhecido como Seu Duquinha, recuperou cerca de 56 hectares de floresta nativa, área que hoje abriga a primeira torre de monitoramento climático instalada em uma floresta secundária da Amazônia.
Há pouco mais de três décadas, Seu Duquinha decidiu mudar a relação da família com a terra. A antiga área de roçado passou a ser reflorestada com milhares de mudas de espécies nativas, como castanheiras, jatobás, piquiás e bacurizeiros. O riacho que havia secado voltou a correr, a fauna retornou e a propriedade se transformou em um verdadeiro laboratório natural.
Hoje, pesquisadores acompanham o comportamento dessa floresta em regeneração por meio de sensores instalados em uma torre de 20 metros de altura.
O objetivo é compreender como as chamadas capoeiras — áreas que se regeneram naturalmente após o desmatamento — conseguem recuperar a biodiversidade, armazenar carbono e ajudar na regulação do clima.
A pesquisa é conduzida por especialistas ligados a instituições da Amazônia e conta com a participação da bióloga Laína Carvalho, neta de criação de Seu Duquinha. Doutoranda em Ciências Florestais, ela estuda justamente a capacidade dessas florestas secundárias de produzir e distribuir energia, analisando desde a queda de folhas até a resposta das árvores a períodos de seca e chuvas intensas.
Além da torre instalada na área reflorestada, outra estrutura de 40 metros monitora uma floresta primária preservada na região. A comparação entre os dois ambientes permitirá entender de que forma a natureza consegue se regenerar e quais estratégias podem ser adotadas para ampliar a conservação ambiental na Amazônia.
A trajetória de Seu Duquinha mostra que preservar também é construir futuro. Aos 93 anos, ele se orgulha do que deixou para filhos, netos e bisnetos: uma floresta viva, capaz de ensinar às próximas gerações que desenvolvimento e conservação podem caminhar juntos.
Créditos: Amazônia Vox.
Redação Rádio Energia do Bem
Comentários (0)